Thursday, May 23, 2024

Governo a “acompanhar” situação de navio. Não há portugueses a bordo

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O Governo assegurou, este sábado, que as autoridades portuguesas “estão a acompanhar” a situação que envolve um cargueiro com bandeira portuguesa assaltado perto do Estreito de Ormuz, “sob coordenação direta do gabinete do primeiro-ministro, envolvendo os Ministérios dos Negócios Estrangeiros, Presidência, Defesa Nacional e Economia”.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou que se trata de “um navio de carga, o MSC Aries, com ‘pavilhão’ português (registo na Região Autónoma da Madeira), sendo a empresa proprietária a Zodiac Maritime Limited, com sede em Londres”.
 
“Não há registo de cidadãos portugueses a bordo, seja tripulação ou comando”, acrescenta a tutela, liderada por Paulo Rangel.
 
O Governo português “está em contacto com as autoridades iranianas, tendo pedido esclarecimentos e solicitado informações adicionais”. 

Ao contrário de Portugal, o Exército israelita escusou-se hoje a comentar a abordagem por um helicóptero da Guarda Revolucionária Iraniana ao navio de pavilhão português alegadamente associado a Israel no Golfo Pérsico.

“Sem comentários”, disse um porta-voz militar israelita questionado pela EFE, depois de a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana, ter anunciado que “um navio cargueiro associado ao regime sionista [Israel]” fora apresado.

O incidente ocorre no meio da tensão criada pelo ataque israelita ao consulado do Irão em Damasco, a 01 deste mês, que deixou sete membros da Guarda Revolucionária mortos. O Irão prometeu entretanto retaliar, tendo os Estados Unidos alertado para a possibilidade de Teerão responder durante o fim de semana.

O navio porta-contentores capturado está ligado à empresa ‘Zodiac Maritime’, parte do ‘Grupo Zodiac’, com uma frota de mais de 180 navios e sede no Mónaco e pertencente ao bilionário israelita Eyal Ofer.

O navio saiu de Khalifa, nos Emirados Árabes Unidos, com destino a Nhava Sheva, na Índia, e a última posição recebida foi sexta-feira, exatamente no mesmo local perto do Estreito de Ormuz onde foi apresado.

A agência de notícias estatal iraniana IRNA reconheceu hoje o assalto ao navio, depois de ter sido reportado um ataque a esse mesmo barco, que se suspeitava ter sido levado a cabo pela Guarda Revolucionária, força paramilitar iraniana que promoveu assaltos semelhantes no passado.

O incidente foi inicialmente reportado pela agência de operações comerciais marítimas do Reino Unido (UKTMO), cuja fonte partilhou com a AP o vídeo desse mesmo ataque.

Segundo a AP, no vídeo veem-se militares a descer de um helicóptero e a tomar de assalto o navio de carga junto ao estreito de Ormuz (entre o golfo Pérsico e o de Omã).

A UKTMO afirmou que imagens mostram que pelo menos três indivíduos terão tomado “rapidamente” de assalto o navio de carga.

À AP, a empresa Zodiac Maritime recusou-se a comentar a situação.

Desde 2019 que o Irão tem sido acusado de estar envolvido em vários assaltos e ataques a navios na zona do golfo de Omã, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo.

As tensões, marcadas nos últimos seis meses pela guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, subiram recentemente com um bombardeamento a 01 de abril ao consulado iraniano em Damasco, na Síria, que matou altos funcionários militares iranianos, e que foi atribuído a Telavive.

[Notícia atualizada às 13h12]

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